Cruz, María Silva (1915-1936)

Nick Heath

 

Maria Silva CruzMaría nasceu em uma família de peões e carvoeiros na pobre vila de Casas Viejas, em Andalucia, em 20 de abril de 1915.

Seu pai, Juan Silva González, e seu tio, Jeronimo, estavam na CNT. Sua avó lia romances anarquistas em voz alta para ela quando criança.

Antonio Cabanas Salvado – Gallinito – era membro das Juventudes Libertarias em Casas Viejas. Ele tinha 27 anos de idade em 1932, e foi criado parcialmente em Cadiz, onde entrou em contato com o movimento anarquista. Ele ensinou as ideias do anarquismo para um grupo de dez mulheres jovens em Casas Viejas em 1932. Ele saía com María. Ela conquistou seu apelido “La Libertaria” por causa de seu lenço vermelho e preto. Isso chocou o sargento da Guarda Civil na vila, que ordenou que o retirasse. Ela se recusou, e depois ele o rasgou. Isso não intimidou as jovens, que incluíam sua irmã Catalina, sua prima Catalina e sua amiga próxima Manolita Lago. Até o fim do ano, elas organizaram um grupo chamado Amor y Armonía.

Durante a insurreição em Casas Viejas, em 1933 – que está eloquentemente documentada em The Anarchists of Casas Viejas (“Anarquistas de Casas Viejas”), por Jerome Mintz –, ela ostentou a bandeira vermelha e preta junto com Manuel Lago e Gallinito pela cidade, cantando canções revolucionárias. O comunismo libertário foi proclamado na vila. Quando a Guarda Civil cercou a casa de sua família e matou seu avô, “Seisdedos”, colocando fogo na residência, ela correu para fora, com suas roupas e cabelo em chamas, com uma das crianças vizainhas gritando “Não atire! É um menino!”. Ela fugiu para a casa de sua mãe. Foi presa em 14 de janeiro de 1933. Foi aprisionada por duas semanas em Medina Sidonia. Foi presa novamente em Medina e então transferida a Cádiz, onde permaneceu por um mês.

Lá, houve um ultraje público massivo sobre como as autoridades haviam esmagado brutalmente uma rebelião de pessoas camponesas pobremente armadas e então fuzilou muitas a sangue frio. María foi libertada com outras prisioneiras e prisioneiros anarquistas.

Sua mãe foi para Cádiz e María foi com ela. O militante anarquista Miguel Pérez Cordón começou a cortejá-la e depois de 2 anos foram para Madri para viver em união livre (Miguel editava a revista da CNT lá). Tiveram um filho no começo de maio de 1935. Mais tarde, voltaram para Andaluzia. Em julho de 1936, o casal vivia em Ronda. Quando os fascistas ocuparam a área, Cordón se refugiou nas montanhas. María ficou em casa com seu filho, que tinha alguns meses de idade. A Guarda Civil a prendeu, roubando seu filho violentamente de seus braços. Ela foi fuzilada na aurora de 23 de agosto de 1936 com outras duas pessoas.

Miguel Pérez Cordón foi fuzilado pelos franquistas no último dia da Guerra Civil em Cartágena, no dia 5 de março de 1939. Gallinito caiu lutando em uma coluna anarquista.

O filho de María e Miguel está lutando para que seus restos mortais sejam exumados e reconhecidos.

 

Publicado originalmente em libcom
Traduzido por Cami Álvares Santos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.